Mesmo abalado, sem saber mais de nada. Pablo continuou a olhar apaixonadamente Melissa. Mas como todo homem, tinha que fazer uma bobagem. Ainda maior. Vou lhe contar com detalhes.
Era sexta-feira, Leandro não havia ido à escola. Então Pablo estava sozinho esperando o ônibus de volta para casa. Quando vê Melissa e Raquel (Raquel é a amiga loira) vindo em direção ao ponto. Elas ficaram atrás dele, já que estava sentado no ponto. Cochichavam algo, mas ele disfarçava e olhava para o outro lado. Foi ai que Raquel sentou-se ao seu lado, ele a olhou, então começa o dialogo:
- Oi.
- Oi. A voz mal sai da boca de Pablo.
- Então, você tem cel.?
- Não.
- Me passa o número do telefone da tua casa então?
- Sim. Então ele passa o número, e Raquel volta a falar.
- É uma amiga minha que quer te conhecer.
- Quem que é?
- Ah, uma loira que anda comigo. Bom, vou ter que ir. Obrigada. Tchau.
- Tchau.
Então Pablo fica a pensar. Quem será essa amiga? Será mentira? Será que o número era para Melissa e ela não quis dizer? E seu coração bobo e apaixonado começa a criar mil expectativas novamente. Passa o final de semana e nada de ligação. Na segunda é dia de aula normal. Na hora do intervalo surge uma menina e pergunta se Pablo queria ir falar com sua amiga agora. A tal que pedirá o seu número. Ele então concorda e vai ver quem era. Realmente era loira, não era Melissa. Mas era bonita, mais velha que ele e falava muito bem. Praticamente só ela falou durante a conversa. Então terminou o intervalo e eles ficaram de se ver novamente no outro dia. E assim aconteceu, se viram e dessa vez ficaram. Talvez naquele momento as chances de Pablo conseguir ficar com o seu grande amor acabaram. Mas para ele não importava, já estava a fim de esquecer Melissa, não queria mais ficar com aquela angustia. Aquele amor não correspondido estava acabando com ele, porém quem foi que disse que o coração obedece à razão? O caso com a outra garota não vingou, e apaixonado ele continuo e assim se prosseguiu.
Depois de algum tempo, houve outras tentativas de abordagem, mas sempre da maneira errada, sempre mandava alguém falar com ela. Só o medo nunca o abandonou.
Foi quando devido ao curso que ele iria fazer, Pablo deixou a escola onde estudava. Foi estudar perto de casa e nunca mais viu Melissa. Apaixonou-se outras vezes, e com a lição que aprendeu quando tinha seus 14 ou 15 anos, não errou mais. Nunca mais deixou de dizer o que sentia ou o que queria a ninguém. Por mais difícil que fosse. Não era mais um garoto. Amou, desprezou, foi desprezado, agiu com inteligência, foi burro, ficou sem se quer sentir nada, deixou de ficar amando ou pelo menos achando que estava amando muito e assim foi. Sempre com os seus casos, sem muita importância. Onde ele curtia e não saia ferido. Perfeito, não? É, mas a vida é feita de surpresas. Essa tal de vida não é fácil.
Depois de anos, tantos que fazem até você esquecer-se do rosto de certas pessoas. Mas do rosto de um amor tão grande como foi este não se esquece nunca.
Pablo estava andando, a caminho de um lugar para almoçar em um dia ensolarado de trabalho, mas nada cansativo. As horas se passavam rápidas, era quase uma hora da tarde. Ele andava distraído, pensando em alguma canção. Quando passa por um ponto de ônibus, daqueles enormes. Mas estava quase vazio, como é de seu costume, foi olhando as pessoas tentando achar um rosto conhecido em meio a tantos. Quando alguém que estava sentada se vira. Ele a olha no fundo dos olhos, aqueles olhos com um brilho só deles. Quase refletiam o seu olhar de surpresa. Mas que surpresa! Essa altura já imagina quem seja? Pois é, era Melissa. Foi tudo muito rápido, ele andando depressa como sempre, nem sequer fez questão de olhar novamente, olhou para frente e continuo andando. Mesmo com o coração disparado e sentido algo muito estranho. Parecia que inflaram um balão dentro de seu peito e agora ele desce até a barriga e sobe até o peito novamente. É caro leitor, ele balançou. Mas quem não balançaria?
Foi amor à primeira vista. E o desse tipo não se esquece jamais!
Fim?
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