quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um amor - Segundo capítulo

O medo e a consequência


Passaram se vários dias. Os amigos já sabiam, e era cada vez mais evidente que Pablo estava apaixonado, perdidamente apaixonado por uma garota que ele não sabia ao menos o nome. Bom isso foi fácil de resolver. Pergunta ali, conversa aqui, e é Melissa o nome dela. Bom o nome já temos. Só falta declarar todo este amor para ela. Mas como? Pablo nunca havia se apaixonado. Apenas namorinhos quando criança. Amor de verdade foi à primeira vez.
Você sabe o que é tremer só de ver uma pessoa passar? Sim, você leitor. Sabes? Então, é o que nosso pobre Pablo sentia. Os amigos diziam para ele ir logo falar com ela. Ameaçavam ir até ela e revelar que havia uma pessoa perdidamente apaixonada por ela. Mas ele tremia e sentia um frio na boca do estomago só de escutar uma coisa dessas. Então começou a matutar como chegaria e conquistaria sua ardente paixão. Ou seria amor? É, amor cabe melhor neste caso.
E assim se passaram meses. Ficava olhando, olhando e olhando sem parar para ela. Nos dias que ela pegava o ônibus para ir ao curso de espanhol era uma felicidade. Tentava sentar o mais perto possível, para poder vê-la por mais tempo e talvez escutar o que dizia.
Mas certo dia, acredito que já cheios de tanto ver Pablo amando e sem coragem de dizer nada. Armaram para os dois. Chamaram uma amiga de Pablo e da turma, muito desinibida por sinal. E a mandaram ir falar para Melissa que havia um garoto querendo conhece - lá. E der repente Pablo vê a cena e tem vontade de enfiar a cabeça no chão, como fazem os avestruzes segundo a crença popular. Não tinha mais jeito. É agora ou nunca. Ou vai ou racha.
E tudo ficou marcado para a hora da saída. Só que o medo e o acaso às vezes são cruéis, e para o azar ou sorte de Pablo, quando todos subiram do intervalo, a sala onde ele teria aula era na frente da sala de onde Melissa teria aula. E os dois subiram um ao lado do outro. Mas que escadaria imensa ficou a escada que levara até o segundo andar do prédio interno da escola. Sem dizer uma só palavra. Uma só! Pablo e Melissa ficaram frente a frente. Cada qual encostado do seu lado do corredor, olhando para baixo. E Pablo pensando, na hora da saída. E Melissa devia de estar pensando naquele momento, mas que garoto bobo, eu estou aqui e ele sequer me olha. E quando finalmente as duas maiores aulas da vida de Pablo se passaram ele finalmente achou que ia falar. Ensaiou e ensaiou tudo em seu pensamento. Havia pensado até em como seria a reação dela, e mais, criou até as falas que ela deveria seguir. Uma espécie de último capitulo de novela. Onde tudo sai perfeito e o mocinho fica com a mocinha dando a um grande beijo no final, que dura até quando as letrinhas param de subir. Esse garoto poderia ser escritor, ou quem sabe roteirista. Que imaginação.
Bom, mais ai vem a consequência. Do que? Do seu ato de covardia. Quando sai pelo portão principal da escola, Pablo se depara com Melissa indo embora. Olhando para trás e apenas sorrindo. Naquele momento sua cabeça começa a girar e ele nem sabe o que faz. Quando Leandro o chama para subir a rua e ir para o ponto de ônibus. Ele sem saber o que aconteceu começa a pensar, não estava tudo certo? Mas eu imaginei tudo certinho, como deveria ser cada cena. Mas infelizmente, a vida não é um filme. E o medo de Pablo ter dito tudo logo na hora do intervalo, talvez tenha lhe custado caro, muito caro.

Continua amanhã.

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