segunda-feira, 20 de junho de 2011

A pergunta

“De onde vêm os bebês?”

Assustado o pai da linda garotinha olha para a mesma com cara de espanto.

“Bom... É...”

Olha para o céu azul, com pouquíssimas nuvens brancas. Olha para a sua filha e pensa como ele explicaria isso a sua garotinha de 4 anos.

“Papai, você não me escutou? De onde vêm os bebês? Igual o filhinho da tia Mônica, de onde ele veio?”

Novamente ele a olha e dessa vez resolve responder.

“Bem filha, os bebês são trazidos...”

A garotinha está muito interessada no que ele vai dizer, e não tira os olhos de seu pai. Por sua vez, o homem não conseguia imaginar como responder a pergunta de sua filha. Nesse momento ele pensa o quanto gostaria que a sua esposa respondesse em seu lugar, mas ela nem ali estava. Estavam só os dois, pai e filha. Sentados em um banco da pracinha tomando sorvete.

“Então, o seu priminho veio da barriga da sua tia. Você não lembra do barrigão que ele tava?”
“Ah, entendi”

Ele suspira aliviado. Quando ela indaga.

“Mais como ele entrou na barriga da tia Mônica?”
“Ó céus!” Ele deixa escapar.
“Do céééu? Como?”
“Não filha, não do céu.”
“Então de onde? Do mercado igual o Boró?”
“Não filha. O Boró é um cachorro, e nós o compramos no pet shop e não no mercado”
“Huuum... Mais e os bebês?”
“Por que toda essa curiosidade em saber de onde vêm os bebês?”
“Porque sim”
“Pois eu vou te dizer”
“Ebaaa” Exclama feliz a menina.
“Mais antes, quer outro sorvete?”
“Não.”
“Chocolate?”
“Não.”
“Bala?”
“Hum-hum” Faz sinal de negativo com a cabeça.
“Você não quer nada?”
“Quero saber de onde vês os bebês!?”
“Ta certo. Os bebês vêm do amor que o papai e mamãe deles têm. Entendeu?”
“Não.”
“Por exemplo. Eu te amo, não é?”
“Sim.”
“Sua mãe também, não é?”
“Aham”
“Eu amo a sua mãe e sua mãe me ama, certo?”
“Certo.”
“Então, um filho ou um bebê, como você diz. Vem desse amor.”
“Então a tia Mônica ama o tio Carlos?”
“Sim, por isso eles são casados.”
“Ah... Entendi.”

Que bom ele pensa, missão cumprida. É, nem foi tão difícil, imagina olhando a sua menina.

“Papai”
“Oi”
“Eu posso ter um bebê?”
“Claro que não filha.”
“Por quê?”
“Porque você ainda é criança. E crianças não podem ter bebês.”
“Eu queria um bebê...”
“Que tal trocar o bebê por um balão daqueles?”
“Daqueles ‘grandão’?”
“É daquele bem grande”
“Eu quero o do cachorro. Não o da vaquinha. Não o do cachorro mesmo.”
“Vamos levar os dois!”
“Aeeeee!” E sai correndo até o moço que vende os balões.

O pai olha satisfeito, vendo que conseguiu vencer um dos grandes medos que tinha. Essa pergunta tão simples, mas que quando partida da pessoinha mais querida e importante do teu mundo, se faz tão difícil de responder.

PaZ!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

#MarchadaLiberdade

Manifesto da #MarchadaLiberdade

Convite à liberdade
Prisões, tiros, bombas, estilhaços, assassinatos. Por todo o país, protestos legítimos estão sendo reprimidos com ataques violentos da força policial. Querem nos calar.

Avenida Paulista, 21 de maio de 2011: Marcha da Maconha. A história se repete. A tropa de choque, sob os olhos do governo e da mídia, avança sem piedade sobre manifestantes armados apenas com palavras e faixas. As imagens do massacre à liberdade de expressão, registradas por câmeras, corpos e corações, ecoaram na rede e nas ruas com um impacto de mil bombas de efeito moral, causando indignação e despertando as pessoas de um estado anestésico. O que governo algum poderia desejar estava acontecendo: o povo começou a se organizar. Desta vez, não baixaríamos a cabeça.

Sete dias depois, defensores das mais diversas causas, vítimas das mais diferentes injustiças, estavam de volta ao mesmo local para dar uma resposta à opressão. As ruas de São Paulo foram tomadas por 5 mil pessoas de todas as cores, crenças e bandeiras. Na Internet, uma multidão espalhava a mensagem como vírus pelas redes sociais. Naquele dia, o Brasil marchou unido por um mesmo ideal. Nascia ali a Marcha da Liberdade.

Não somos uma organização. Não somos um partido. Não somos virtuais. Somos REAIS. Uma rede feita por gente de carne e osso. Organizados de forma horizontal, autônoma, livre.

Temos poucas certezas. Muitos questionamentos. E uma crença: de que a Liberdade é uma obra em eterna construção. Acreditamos que a liberdade de expressão seja a base de todas as outras: de credo, de assembléia, de posições políticas, de orientação sexual, de ir e vir. De resistir. Nossa liberdade é contra a ordem enquanto a ordem for contra a liberdade.

Convocamos: Todos aqueles que não se intimidam, e que insistem em não se calar diante da violência. Contamos com as pernas e braços dos que se movimentam, com as vozes dos que não consentem. Ligas, correntes, grupos de teatro, dança, coletivos, povos da floresta, grafiteiros, operários, hackers, feministas, bombeiros, maltrapilhos e afins. Associações de bairros, ONGs, partidos, anarcos, blocos, bandos e bandas. Todos os que condenam a impunidade, que não suportam a violência policial repressiva, o conservadorismo e o autoritarismo do judiciário e do Estado. Que reprime trabalhadores e intimida professores. Que definha o serviço público em benefício de interesses privados.

Ciclistas, lutem pelo fim do racismo. Negros, tragam uma bandeira de arco-íris. LGBTT, gritem pelas florestas. Ambientalistas, cantem. Artistas de rua, defendam o transporte público. Pedestres, falem em nome dos animais. Vegetarianos, façam um churrasco diferenciado!

Nossas reivindicações não têm hierarquia. Todas as pautas se completam na perspectiva da luta por uma sociedade igualitária, por uma vida digna, de amor e respeito mútuos. Somos todos pedestres, motoristas, cadeirantes, catadores, estudantes, trabalhadores. Somos todos idosos, índios, travestis. Somos todos nordestinos, bolivianos, brasileiros, vira-latas. E somos livres. Você tem poder! Nossa maior arma é a conscientização. Faça um vídeo, divulgue nas suas redes sociais, arme sua intervenção, converse em casa, no almoço do trabalho, no intervalo da escola. Compartilhe suas propostas nas paredes, no seu blog, no seu mural. Reúna-se localmente, convoque seus amigos, erga suas bandeiras, vá às ruas.

Estamos diante de um momento histórico global. Pela primeira vez, temos chance real de conquistar a liberdade. O mundo está despertando. Levante-se do sofá e vá à luta. Vamos juntos construir o mundo que queremos!

Espalhe a rebelião. #marchadaliberdade #worldrevolution
Princípios do movimento:
- Liberdade de organização e expressão;
- Contra a repressão e a violência policial em qualquer âmbito da sociedade;
- Contra o conservadorismo que pauta o judiciário e o Estado.

Reivindicação geral:
- Regulamentação que proíba o uso de armamentos pela polícia em manifestações sociais.

Via #MarchadaLiberdade

Vamos todos abraçar essa causa, não podemos nos calar. Liberdade já!
Dia 18 de Junho, das 14:00 às 17:00, no MASP, Av. Paulista - SP

PaZ!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sentimento puro

Ninguém sabe de onde vem ou até mesmo quando inicia. A única certeza é que quando aparece logo se nota. Não medimos por palavras, e sim por atitudes. Algumas até contrarias do que pensamos, mas a maioria é igual. Às vezes as frases não são necessárias, um olhar já diz tudo. Por um simples “oi” já descobrimos o seu humor. Sabemos os seus gostos, como agradar, e principalmente como deixar a pessoa nervosa. Tiramos sarro, rimos, apontamos e até imitamos. Com tudo isso, após alguns minutos lá estamos conversando, dividindo algum segredo, ou resgatando alguma boa lembrança. A distância atrapalha, mas não é capaz de fazer com que isso acabe. Até faz que aumente na hora do reencontro, principalmente se for inesperado, os olhos até brilham! Por vezes chega a ser mais forte que um laço familiar. Nela nos apegamos nas horas de felicidade, e nas tristezas é que realmente vemos as verdadeiras. Porque se ela não for real, logo a mascara cai. Só as de verdade são eternas, e mesmo que depois que um venha a partir para todo o sempre, ainda existirá no coração de quem ficar. As pessoas a chamam de muitos nomes, eu a conheço pelo de Amizade.

PaZ!