“De onde vêm os bebês?”
Assustado o pai da linda garotinha olha para a mesma com cara de espanto.
“Bom... É...”
Olha para o céu azul, com pouquíssimas nuvens brancas. Olha para a sua filha e pensa como ele explicaria isso a sua garotinha de 4 anos.
“Papai, você não me escutou? De onde vêm os bebês? Igual o filhinho da tia Mônica, de onde ele veio?”
Novamente ele a olha e dessa vez resolve responder.
“Bem filha, os bebês são trazidos...”
A garotinha está muito interessada no que ele vai dizer, e não tira os olhos de seu pai. Por sua vez, o homem não conseguia imaginar como responder a pergunta de sua filha. Nesse momento ele pensa o quanto gostaria que a sua esposa respondesse em seu lugar, mas ela nem ali estava. Estavam só os dois, pai e filha. Sentados em um banco da pracinha tomando sorvete.
“Então, o seu priminho veio da barriga da sua tia. Você não lembra do barrigão que ele tava?”
“Ah, entendi”
Ele suspira aliviado. Quando ela indaga.
“Mais como ele entrou na barriga da tia Mônica?”
“Ó céus!” Ele deixa escapar.
“Do céééu? Como?”
“Não filha, não do céu.”
“Então de onde? Do mercado igual o Boró?”
“Não filha. O Boró é um cachorro, e nós o compramos no pet shop e não no mercado”
“Huuum... Mais e os bebês?”
“Por que toda essa curiosidade em saber de onde vêm os bebês?”
“Porque sim”
“Pois eu vou te dizer”
“Ebaaa” Exclama feliz a menina.
“Mais antes, quer outro sorvete?”
“Não.”
“Chocolate?”
“Não.”
“Bala?”
“Hum-hum” Faz sinal de negativo com a cabeça.
“Você não quer nada?”
“Quero saber de onde vês os bebês!?”
“Ta certo. Os bebês vêm do amor que o papai e mamãe deles têm. Entendeu?”
“Não.”
“Por exemplo. Eu te amo, não é?”
“Sim.”
“Sua mãe também, não é?”
“Aham”
“Eu amo a sua mãe e sua mãe me ama, certo?”
“Certo.”
“Então, um filho ou um bebê, como você diz. Vem desse amor.”
“Então a tia Mônica ama o tio Carlos?”
“Sim, por isso eles são casados.”
“Ah... Entendi.”
Que bom ele pensa, missão cumprida. É, nem foi tão difícil, imagina olhando a sua menina.
“Papai”
“Oi”
“Eu posso ter um bebê?”
“Claro que não filha.”
“Por quê?”
“Porque você ainda é criança. E crianças não podem ter bebês.”
“Eu queria um bebê...”
“Que tal trocar o bebê por um balão daqueles?”
“Daqueles ‘grandão’?”
“É daquele bem grande”
“Eu quero o do cachorro. Não o da vaquinha. Não o do cachorro mesmo.”
“Vamos levar os dois!”
“Aeeeee!” E sai correndo até o moço que vende os balões.
O pai olha satisfeito, vendo que conseguiu vencer um dos grandes medos que tinha. Essa pergunta tão simples, mas que quando partida da pessoinha mais querida e importante do teu mundo, se faz tão difícil de responder.